Após a imposição de pesadas sanções pelos Estados Unidos à Rússia, pela primeira vez se falou seriamente da utilização de Bitcoin para transações entre governos nacionais. Tudo bem que a incensurabilidade da moeda digital foi muitas vezes (pasmem) apontada mais como uma ameaça à democracia do que como benéfica, mas é inegável que, o mero fato de tal possibilidade ter sido considerada, mostra o quanto o mercado das criptomoedas cresceu.

Na esteira destas discussões, também foi questionado se as transações em Bitcoin são de fato anônimas e, surgiram perguntas do tipo “se o governo russo usasse Bitcoins, teríamos como descobrir?”. A verdade é que este tipo de pergunta, e a surpresa de muitos com a resposta, demonstram um desconhecimento geral sobre o funcionamento das criptomoedas.

Acontece que todas as transações de Bitcoin são registradas em um livro aberto, que qualquer um pode visualizar, mas ninguém pode modificar. Este conjunto de registros chama-se blockchain. Nele, são visíveis os endereços de todas as partes, bem como as quantias envolvidas. No entanto, como estes endereços são sequências aleatórias de números e não nomes de pessoas, diz-se que as transações são pseudoanônimas.

Pseudoanonimas porque não existe maneira direta de se rastrear endereços a pessoas. Contudo, o histórico de transações acaba deixando pistas, que podem ser usadas por autoridades.

Em um exemplo grosseiro, imagine que se um mesmo endereço for usado para lavagem de dinheiro e para um pedido de pizza online, o endereço da entrega das pizzas poderia ser usado para rastrear os criminosos. Logicamente, não se espera que criminosos que movimentem milhões sejam tão burros, mas as autoridades são pacientes e podem rastrear milhares de endereços por anos até encontrar os criminosos (sim, o FBI fez isso recentemente).

Existem ideias em desenvolvimento para aumentar a privacidade da rede. Mas, por enquanto, as melhores alternativas para se garantir anonimidade são os chamados mixers.

Estes serviços baseiam-se em uma propriedade muito específica das transações em Bitcoin: elas podem ter muitas fontes e muitos destinos. É como se várias pessoas formassem um bolo de Bitcoins, que é então dividido entre muitos destinatários, sem que se possa determinar ao certo quem mandou dinheiro para quem.

Dada a dificuldade de se rastrear as transações com estes serviços, muitas exchanges não aceitam transações diretamente de mixers, afirmando ser contra as regras de compliance. Inclusive, em alguns lugares utilizá-los pode ser classificado como lavagem de dinheiro.

Do ponto de vista de eficiência, estes sistemas funcionam bem para pequenas transações, mas transações de bilhões de dólares seriam facilmente rastreáveis. Assim, para meros mortais, como eu e você, a rede Bitcoin tem recursos para manter a nossa anonimidade, mas Vladmir Putin não pode dizer o mesmo.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:


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