Texto originalmente publicado na Newsletter HashInvest em 19/08/2020

Há praticamente um ano atrás eu escrevia para vocês sobre o cenário econômico na Argentina e traçava um paralelo sobre a possibilidade de que o Brasil eventualmente seguisse pelo mesmo caminho. Extraído daquele texto, na newsletter 58 de 3 de Setembro de 2019, temos o seguinte parágrafo:

“Os brasileiros elegeram Bolsonaro na esperança que uma guinada à direita junto ao liberalismo econômico de Paulo Guedes seja suficiente para reverter o rumo da crise e principalmente, que a nação possa voltar a crescer e gerar empregos.

Se assim como na Argentina, nosso congresso travar as reformas e paralisar o processo de crescimento, existe uma grande chance de chegarmos em 2022 e o povo voltar a eleger aqueles que nos jogaram ao caos, e o que aconteceu com o Merval e com o Peso certamente se repetirá com o Ibovespa e com o Real, não precisa ter nenhuma dúvida.”

Infelizmente, meu prognóstico estava bondoso demais. Veio a pandemia e com ela o estado de emergência…

Junto com o estado de emergência veio uma gastança sem precedentes…

No meio da gastança sem precedentes, veio o plano de ajuda emergencial…

Junto com o plano de ajuda emergencial veio a popularidade do jeito fácil…

Jair Messias Bolsonaro foi mordido pela mosca azul do desenvolvimentismo. Viu a aprovação de seu governo subir meteoricamente correlacionado ao auxílio de R$ 600,00 mensais, que de duas parcelas, já pulou para 5 e agora sofre pressão para entrar na agenda permanente.

A agenda liberal subiu no telhado. Paulo Guedes foi neutralizado e hoje é uma andorinha solitária incapaz de fazer um verão. Nessa altura do campeonato, já não interessa mais se Paulo Guedes fica ou vai porque ele não será capaz de fazer absolutamente nada.

O plano de privatizações já era. Salim Mattar cansou e colocou a viola no saco.

A reforma tributária é uma vergonha que aumenta a carga tributária (de bom mesmo do projeto que foi apresentado somente a simplificação), mas que a carga tributária sobe, sobe.

Governo cedeu ao centrão e a tentação da popularidade fácil. O Real está em risco de colapsar assim como o Peso Argentino e a Lira Turca.

Alarmismo? Não, apenas um mero exercício de observação pragmática. A que fatores podem ser atribuídos a saída em bando do núcleo forte e liberal do governo? Estamos falando do presidente do Banco do Brasil, do Secretário do Tesouro Nacional, do Secretário de Desburocratização, do Secretário da Desestatização em um período muito curto de tempo.

Outro número que está na mesa é o déficit das contas em 2020. Pré COVID19 se falava em R$ 124 Bi de déficit, em linha com o plano de recuperação. Governo fala oficialmente em R$ 828 Bi de déficit (que deve ser superior a R$ 1 Tri) mesmo depois da manobra cambial de PG que colocou R$ 500 Bi a favor do governo fazendo “contabilidade criativa” com as reservas… É um rombo sem precedente e muito provavelmente sem recuperação.

Nosso congresso confirmou que não é reformista, que não pretende facilitar nenhuma das grandes privatizações e na prática está se fartando e se lambuzando com o estado de emergência.

A pandemia se mostra conveniente a uma classe política que teve que engolir seco uma Lava-Jato que durante um breve tempo, asfixiou a corrupção. Hoje é necessário tirar o atraso e abastecer o caixa para a campanha de 2020 e se possível a de 2022.

Na época em que recomendei o Bitcoin como seguro contra essa possibilidade que melancolicamente se transforma em uma dura realidade, o dólar negociava em R$ 4,17, o Bitcoin estava cotado em R$ 43.500,00 e o HASH5 estava em 60.500 pontos.

De lá para cá o dólar subiu 30%, o Bitcoin 50% e o HASH5 65%. Felizmente, meu dinheiro está onde minhas palavras estão.

Infelizmente, percebo que por padrão, meus leitores se dividem em dois grandes grupos. Os curto-prazistas que querem olhar a cotação a cada 5 minutos e têm fortes dores de barriga a cada correção do mercado e os procrastinadores, que leem, muitas vezes até concordam com os argumentos, mas que não fazem absolutamente nada a respeito a não ser empobrecer em Reais, quando muito brincam na bolsa.

Mas enfim, a discussão dessa semana sobre o fica ou não fica de Paulo Guedes é a ponta do Iceberg de uma profunda e delicada questão fiscal que vai emergir em muito breve.

Temos dois cenários… No primeiro o, nosso presidente resiste a tentação populista desenvolvimentista de distribuir um dinheiro que não têm, Congresso e o Senado se unem a favor do Brasil e fazem um esforço para aprovar as reformas política e tributária e trabalham ativamente na redução do estado e na contenção da trajetória da dívida. Guedes recebe uma nova carta branca e coloca o Brasil de volta aos trilhos do crescimento.

No segundo cenário, a cruza de Dilma com Recruta Zero (quem tem mais de 40 vai lembrar do recruta zero) vai continuar fazendo exatamente o que está sendo feito.

Na matriz de probabilidades, nunca foi tão fácil escolher o cenário de maior chance de ocorrência, mas sei que, assim como sempre, o medo e o comodismo vai paralisar a maioria de vocês, que vão assistir a esse grotesco espetáculo de camarote e pouco farão pela preservação de seu próprio patrimônio.

O país que teria por solução reduzir o piso de gastos públicos é refém de uma discussão sobre ampliação do teto, e isso diz muito sobre a cenas dos próximos capítulos. Não estou sentenciando o Real à morte, mas lhe sugerindo fortemente a diminuir sua exposição a ele.

A informação, os dados e o veículo de investimento estão na sua frente. A ação (ou inação) é por conta de cada um…

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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