Desde que eu comecei a acompanhar o mundo das moedas digitais, escuto que o Ethereum está sobrecarregado. Os próprios desenvolvedores admitem isto, tanto que uma nova versão já deveria estar rodando se não fossem os atrasos. Mesmo assim e, mesmo com a operacionalização de diversos concorrentes, a plataforma continua sendo a favorita para novas e velhas aplicações.

Recentemente o valor total dos tokens criados no Ethereum ultrapassou o valor da própria rede, USD 33 bilhões contra USD 27 bilhões. Isto significa que, pela primeira vez, as aplicações que usam a plataforma valem mais do que a própria plataforma.

Ao mesmo tempo, mesmo que contraditório, o custo das transações vem em uma crescente de quase 500% desde abril. Eu disse contraditório, porque o aumento do custo deveria espantar usuários, mas está acontecendo justamente o inverso.

A moda do momento são as chamadas DEFIs, ou finanças descentralizadas, que usam criptomoedas e blockchain para recriar instrumentos financeiros como empréstimos, apólices de seguro etc. Adivinhe qual a plataforma favorita para isso? Não é TRON nem EOS, redes das quais você possivelmente nunca ouviu falar e que são tidas como mais avançadas tecnicamente.

Talvez a resposta não esteja na tecnologia, por mais difícil que seja para um Engenheiro em Eletrônica admitir isso.

Na Economia existem teorias que consideram que o sucesso seria mais fruto da retroalimentação positiva do que proveniente da capacidade, no que é chamado de resultado dependente do caminho/histórico. Assim, não seria necessariamente o melhor que venceria, mas aquele que durante o tempo conseguisse gerar um efeito bola de neve. Por exemplo, poucas pessoas defendem que Windows é o melhor sistema operacional, mas há quase 30 anos, este é o sistema número 1.

Os motivos para continuar usando a alternativa “pior” são diversos, como custo de conversão, maior disponibilidade de ferramentas compatíveis ou mesmo medo do novo. Mas é interessante notar que mesmo em algo tão recente (Ethereum foi lançado em julho de 2015) esta lógica parece estar funcionando.

Obviamente um novo concorrente absurdamente melhor ou custos de transação escalando até o ponto de inviabilizar negócios poderiam causar uma mudança neste processo. Mas não é o que vimos até agora. Além disso, o dia que Ethereum 2.0 for lançado, boa parte destes problemas deve ser resolvida. Por isso, a única coisa que parece capaz de impedir que o Ethereum se torne o padrão para aplicações em blockchain, seria a incapacidade de lidar com o próprio sucesso.

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