Recentemente li uma frase que resume muito bem a diferença entre os dois maiores blockchains: “Bitcoin é um sistema construído ao redor de uma criptomoeda, Ethereum tem um sistema com uma moeda orbitando ao seu redor”. Não consigo lembrar o nome do autor, mas ele foi preciso.

O Bitcoin tem seu mérito como reserva de valor, proteção contra catástrofe etc. Ou seja, é a criptomoeda e suas características que atraem os investidores. O Ether, moeda do Ethereum, é muito mais um combustível (forma de financiamento) das diversas aplicações existentes neste blockchain do que o objetivo final. Para citar só uma das coisas que esta rede permite, pode-se por exemplo, criar novas moedas, que normalmente são chamadas de tokens.

Idealmente teríamos o melhor dos dois mundos, mas estes blockchains não são integrados nativamente, ou seja, não foram idealizados para comunicarem-se entre si. Assim, não é possível usar Bitcoins diretamente na rede do Ethereum. Mas felizmente isto hoje pode ser feito de forma indireta através da tokenização de Bitcoins.

Existem diversos sistemas que proporcionam esta tal tokenização, mas no geral a ideia funciona sempre da mesma forma. Primeiro, os Bitcoins precisam ser “trancados” (postos fora de uso) na própria rede do Bitcoin. Em seguida, são gerados tokens equivalentes na rede Ethereum, que podem usar todas as funcionalidades da rede em que foram criados. Por fim, se o detentor decidir destruir estes tokens, ele libera os Bitcoins na rede nativa para nova movimentação. Tudo isto feito através de chaves de criptografia.

Segundo o site https://btconethereum.com/, a quantidade de Bitcoins tokenizados na rede Ethereum nunca esteve tão alta, são mais de 30.000 BTC.

Além do crescimento exponencial, também chama a atenção o fato de iniciativas que propõem melhorar as aplicações do Bitcoin em seu próprio blockchain nunca terem chegado nem perto de um valor tão alto. Hoje existem 10 vezes mais Bitcoins travados para uso na rede Ethereum do que em projetos nativos.

As características de cada um desses ativos, tão bem resumidas pela frase no começo deste texto, parecem indicar que as pessoas realmente preferem possuir/transacionar Bitcoin, mas ao mesmo tempo também desejam todas as possibilidades que a flexibilidade da rede Ethereum oferece, por isso tanta procura recente pela tokenização de Bitcoins. Assim, temos ativos digitais que na verdade não concorrem entre si, mas que são diferentes em seus propósitos e que ainda possuem milhares de possibilidades a serem exploradas.

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