As recentes tentativas de alguns governos de tirar liberdades individuais e aumentar a vigilância sobre população me fizeram olhar com ainda mais carinho para as criptomoedas.

Teoricamente eu não deveria me preocupar, afinal não exerço nenhuma atividade ilegal e levo uma vida tranquila. Mas talvez por ter lido George Orwell (“1984” e “Revolução dos Bichos”), esse aumento de poder nas mãos dos governos me deixa incomodado. A desculpa de que essas ações “são para o meu próprio bem” ou “são para me proteger” também não ajudam nenhum pouco.

O sistema financeiro tradicional é uma mãe para estas ideias controladoras. O sigilo dos dados financeiros está a uma assinatura de juiz de serem expostos e o bloqueio de contas bancárias não é muito mais difícil de acontecer. Não preciso nem falar do que poderia acontecer em um estado de exceção… Resumindo, nós temos sigilo e poder sobre o nosso dinheiro somente enquanto isso é conveniente.

Nas Criptomoedas felizmente existe uma alternativa.

A criptografia usada nas transações em blockchain, garante que somente a pessoa que tiver as chaves privadas de suas Criptomoedas será capaz de movimentá-las. Independentemente de processo judicial, pandemia ou confisco de poupanças. As suas moedas são suas.

Quanto ao sigilo, concordo que ainda não é o ideal.

O Bitcoin e boa parte das Criptomoedas derivadas funcionam em um sistema chamado de pseudo-anônimo. Isto significa que as transações não são identificadas por registros pessoais (nome ou número de documento), mas as transações em si são rastreáveis. Isto significa que se você fizer uma transferência para o João, ao receber o endereço de destino, você poderá consultar todas as operações que o João fez ou vier a fazer com esse mesmo endereço.

Existem algumas técnicas que podem ser usadas para aumentar o sigilo, como dividir as Criptomoedas em diferentes carteiras, mas o risco de rastreamento ainda existe e normalmente acarretam em custo. Neste sentido, tenho visto mais movimentação na comunidade do Ethereum na criação de ferramentas que aumentem a privacidade, mas uma solução definitiva ainda parece meio distante.

Uma outra alternativa são Criptomoedas menos conhecidas e que oferecem de fato privacidade como DASH, ZCASH e MONERO. Com elas, dados de valor transacionado e destinatário são criptografadas e ficam ocultos. No entanto, devido ao sigilo que estas Criptomoedas fornecem, muitas vezes elas são associadas a dark web ou atividades ilícitas.

Não concordo com este tipo de preconceito por uma mera questão de tamanho de mercado: as moedas que citei anteriormente ocupam as 26ª (ZCASH), 21ª (DASH) e 16ª (MONERO) posições no ranking de capitalização das criptos. ZCASH tem meras 600 transações por dia no mundo todo. Se um PCC utilizasse estas moedas para tráfico internacional, as estatísticas seriam bem diferentes. Por isso, incentivar esses projetos não ajuda o crime organizado, que está muito bem acomodado no sistema financeiro tradicional.

De qualquer forma, mesmo que as soluções que as Criptomoedas ofereçam ainda não sejam ideais, a garantia de ter 100% de poder sobre as suas moedas é uma proteção que nenhum outro ativo pode oferecer. Se isso vai ser necessário um dia eu não sei, mas prefiro me garantir.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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