Aos que tiverem tempo e disposição, esse é o link da entrevista completa de Jerome Powell (Presidente do FED, Banco Central americano) ao programa 60 minutes, entrevistado por Scott Pelley em 13 de Maio de 2020.

Eis aqui um trecho pequeno (em tradução livre), para iniciar a discussão de hoje:

PELLEY: É justo dizer que você simplemente inundou o sistema com dinheiro?

POWELL: Sim. Nós fizemos. Essa é outra maneira de pensar sobre isso. Nós fizemos.

PELLEY: De onde esse dinheiro vem. Vocês imprimem?

POWELL: Imprimimos digitalmente. Portanto, como Banco Central, temos a capacidade de criar dinheiro digitalmente. E fazemos isso comprando letras do tesouro ou outros títulos garantidos pelo governo. E isso realmente aumenta a oferta de dinheiro. Também imprimimos a moeda real e a distribuímos pelos bancos do Federal Reserve.

 

Do início da crise atribuída ao Covid19 para cá, a quantidade de dólares no mercado aumentou em 18%. Existem hoje, em maio, 118 dólares para cada 100 dólares que existiam no início do ano.

Na prática, o FED está tentando resolver um problema de insolvência com injeção de liquidez, ou seja, está tentando curar uma alcoolismo com cachaça. Vou tentar explicar com clareza.

O que está acontecendo é, literalmente uma situação análoga ao cara que se enforcou nos limites de múltiplos cartões de crédito, e para tentar resolver a questão, estamos dando mais alguns cartões para ele, mas para “ajudar” agora com limites expandidos e juros mais baixos.

Empresas estão pegando dólares para quitar dívidas passadas, com novas dívidas. O FED corre para emprestar dinheiro barato e evitar que castelo de cartas da dívida desmorone.

Essa quantidade imensa se recursos simplesmente não circula, pelo contrário, está cada vez mais e mais parada, o tal dinheiro empoçado. A prova disso é o gráfico a seguir, que mostra a velocidade do dinheiro, ou seja, o dinheiro gasto para liquidar dívidas anteriores não está virando investimento, credores pegam o que recebem e sentam em cima. Aqui um link para quem não é familiar com o conceito de velocidade da moeda.

Um cenário de alta probabilidade é que o mundo entre em recessão pós-Covid19 e fique sem capacidade para gerar crescimento e fluxo de caixa o suficiente para que as dívidas sejam pagas, ou seja, o mundo está insolvente em meio a um mar de dinheiro.

Com esse cenário, ironicamente, a demanda por dólares cresce, o dólar vai cada vez mais se fortalecer e o FED terá espaço para imprimir muito mais dinheiro, sem maiores efeitos inflacionários de curto prazo, trocando fluxo de caixa por dívida, o que por definição não ataca o problema (e no longo prazo agrava).

Quem está sentado em cima dessa liquidez em dólares não vai gostar de ver o sua participação sendo constantemente diluída em grandes proporções e existe uma grande chance que dólares comecem a serem trocados por ativos escassos.

Como efeitos colaterais desses movimentos, veremos a retomada da inflação dos ativos e a continuidade da pancadaria nas moedas fracas, além de uma boa chance de um novo e virtuoso ciclo de crescimento para o ouro, o Bitcoin e as Criptomoedas.

Esse novo ciclo das Criptomoedas está sendo gestado e em geral, pouca gente é capaz de imaginar a proporção dada a insignificância do tamanho do atual mercado. A bolha de 2017 pode facilmente sumir dos gráficos.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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