Há mais de um ano o mundo das Criptomoedas tem ficado de olhos abertos e ansiosos pela tal Bakkt e muita gente ainda não sabe ou não entendeu do que se trata a tão badalada startup.

Para explicar a Bakkt, primeiro vamos entender o que é um mercado futuro. Basicamente, um mercado futuro é quando você negocia hoje o preço de algo que será liquidado amanhã. Pronto, só isso.

Fora de uma bolsa, funcionaria assim: eu sou vendedor e poderia acertar com você (comprador) o preço para o Bitcoin daqui a 30 dias. Vamos até um cartório registrar nosso acordo. Daqui a 30 dias você me paga o valor ajustado em nosso contrato e eu te entrego o Bitcoin, independente do valor de mercado.

Mas onde entram as bolsas (CME, Bakkt, Bitmex e etc?). Entram na padronização das regras e na custódia de depósitos em garantia.

Voltando ao nosso exemplo, suponha que o preço do Bitcoin tenha disparado e multiplicado por 5 vezes, eu fico insatisfeito com os termos de nosso contrato e decido não honrar o nosso acordo, ou seja, não vou te entregar o Bitcoin – calote em você. Agora você terá que me processar… Mas o caminho será lento e doloroso…

A mesma negociação em uma bolsa segue um caminho um pouco diferente. Primeiro, eu e você precisamos ser correntistas da bolsa e fazer um depósito nessa conta (no jargão chamado de margem). Em segundo lugar, as regras da negociação (volume, valores, data pré-estabelecidas) estão todas definidas.

Eu como vendedor vou então lançar um contrato de venda futura de Bitcoin (seguindo a regra da bolsa que escolhi). Você comprador vai comprar esse contrato, também aceitando a regra da bolsa. Diariamente até o vencimento do contrato, a bolsa ajusta os saldos em nossas contas de margem conforme a variação de preços do ativo (para mais ou para menos) garantindo a execução do mesmo sem que haja a possibilidade de calote.

Tanto eu como você temos a liberdade para comprar ou vender novos contratos (e assim tentar proteger um negócio mal feito) durante a jornada. As vantagens são inúmeras. Entras as maiores dessas vantagens estão facilidade para comprador e vendedor operarem futuros, isso porque as partes não precisam se conhecer e nem confiar uma na outra, já que a bolsa resolve essas questões.

Outro ponto importante é a grande liquidez que as bolsas geram (muitos contratos) e obviamente, a não possibilidade de calote gerada pelos depósitos de margem. Segurança gera liquidez, liquidez gera mais confiança e a espiral positiva do volume só cresce.

Feita a introdução, vamos à CME e a Bakkt.

A CME (Chicago Mercantile Exchange) já opera futuros de Bitcoin desde 2017. Qual a diferença para a Bakkt?

Da maneira como foi implementado na CME, os mercados de futuro de Bitcoin NÃO TOCAM NO ATIVO. Eles são paralelos, completamente liquidados em dólares americanos. As contas de margem são abastecidas em dólar e a liquidação no vencimento dos contratos também é em dólar.

Para uma negociação de futuros na CME, basta o Bitcoin existir e ter seu preço cotado em dólares por um preço formado de acordo com a regra de cada bolsa. Não interessando o volume de negociação de contratos de futuros de Bitcoin na CME, não haverá nenhum impacto sobre o volume de negociação real do Bitcoin em seu blockchain (ou nas exchanges).

Basicamente, essa é a grande diferença. Na Bakkt a negociação de futuros é liquidada em Bitcoin. Os depósitos de margem são feitos em Bitcoin. O volume de negociação de futuros na Bakkt terá impacto direto sobre o volume de negociação real do Bitcoin em seu blockchain (e nas exchanges). Não é um mercado subjacente, é o próprio Bitcoin usado para liquidar os futuros de Bitcoin.

Mas qualquer empresa poderia fazer isso? Em tese sim, mas a Bakkt é pertencente à ICE (Intercontinental Exchange), nada menos do que a proprietária da NYSE (Bolsa de Valores de Nova Iorque), ou seja, embora fantasiada de startup fintech, a Bakkt é a aposta de uma instituição de primeiríssima linha no mercado de Criptoativos.

Por ser filhote da ICE, a Bakkt conseguiu o que parecia impossível, as autorizações legais dos reguladores para operar. Inicialmente prevista para fevereiro deste ano, com 7 meses de atraso a Bakkt inicia suas operações em 23 de Setembro totalmente regulada e devidamente autorizada. Um marco e um grande feito na indústria.

E finalmente, também pelo motivo de ser filhote da ICE a Bakkt é vista como a grande porta de entrada de fundos de investimentos, fundos de pensão, seguradoras e bancos no mundo dos Criptoativos. Fazendo uma analogia com o Brasil, não é razoável imaginar o Itaú comprando Bitcoin na FoxBit (nada contra a FoxBit…). Mas não seria nenhum absurdo imaginar o Itaú comprando Bitcoin se a B3 (Bovespa) possuísse uma corretora que de quebra fosse regulada pelas autoridades competentes.

Então, caso a Bakkt tenha sucesso em tracionar e os tais investidores institucionais venham de fato para esse mercado, será necessária uma quantidade grande de Bitcoin para a liquidação dos contratos e você já pode imaginar o que pode acontecer com os preços da Criptomoeda.

Kelly Loeffler (CEO da Bakkt) e Jeff Sprecher (CEO da ICE e Chairman da NYSE)

Quando estive na Consensus Invest, em Novembro de 2018, pude escutar de corpo presente os CEOs da ICE e da Bakkt no palco falando sobre o projeto. Na época minha sugestão aos nossos clientes foi a de não abandonar os investimentos em Criptomoedas por pelo menos 6 meses após o início das operações da Bakkt para então reavaliar suas posições. Pois então, finalmente a hora chegou e a recomendação está mantida.

Não espere um efeito mágico. O início das operações da Bakkt não fará milagres da noite para o dia, mas pode sim ser um ponto de inflexão do mercado e pode sim ser o ponto de partida para bancos e demais instituições, creio que em 6 meses podemos ver para que lado vai apontar a curva.

Aos que podem arriscar um pouco mais (sabendo dos riscos associados), a sugestão é de que aumentem as suas posições em Bitcoin agora, pois se a teoria se confirmar (mesmo que em parte) os retornos podem ser muito positivos.

É importantíssimo lembrar que não existem garantias de que a Bakkt irá de fato tracionar e muito menos que os tais investidores institucionais estejam sedentos por Bitcoin, mas em um mundo com juros reais negativos e com a volta do famigerado “Quantitative Easing” na Europa poderá haver bastante apetite pelos Criptoativos nos próximos anos.

Seja bem vinda Bakkt!

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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