Não é só porque a rede do Bitcoin está ativa há anos que ela está pronta e acabada, muito pelo contrário, existe uma comunidade de desenvolvedores bastante ativa. Estes programadores sugerem todo o tipo de melhorias, desde o simples aperfeiçoamento na organização do código até complexas otimizações de uso de memória. Somente nesta última semana (14 a 21 de julho), 16 alterações no código foram aceitas e mais 19 novas sugestões foram feitas.

Como o Bitcoin é uma criptomoeda sem um dono, qualquer um pode propor melhorias. Isto mesmo. Se eu ou você tivermos uma ideia que considerarmos boa, podemos apresentá-la para a comunidade. No entanto, uma sugestão não é automaticamente aceita. Outros programadores irão analisar as mudanças, avaliar se elas são realmente necessárias e se podem causar algum dano colateral. Imagine que em um código com milhares de linhas, os efeitos de uma simples modificação podem não ser imediatamente evidentes e terem consequências severas.

Como este processo de revisão é lento, muitas sugestões acabam sendo ignoradas por simples falta de atenção dos outros desenvolvedores. Por este motivo, há quem chame a página em que propostas de melhorias ao Bitcoin são feitas de “cemitério de boas ideias”. Por isso, existe inclusive um guia, algo como regras de etiqueta, para novas propostas. Este guia indica por exemplo, como uma melhoria precisa ser descrita, quais procedimentos de testes devem ser apresentados junto com as alterações no código etc. Como em geral nenhum dos programadores que fazem a revisão são pago para isso, é importantíssimo poupar o tempo dos outros.

Quanto à hierarquia, não é porque ninguém é dono, que todos os colaboradores têm os mesmos direitos. Existe um grupo de desenvolvedores chamados de mantenedores. A eles cabe a revisão e junção das propostas de melhoria ao corpo do projeto. Além disso, há também o mantenedor líder. Esta posição é ocupada desde 2014 por Wladimir J. van der Lann. Ele tem como atribuíções a indicação de novos mantenedores, moderação da comunidade e o estabelecimento dos ciclos para liberações de novas versões.

Por falar em novas versões, alterações no código não são imediatamente liberadas para uso. Normalmente é feito um bolo de melhorias que são liberadas de uma só vez (salvo em casos de emergência). O próximo “bolo” está estimado para novembro deste ano.

No passado, houve discussões acirradas se certas alterações deveriam entrar em uma versão ou não. Este foi o caso por exemplo do SegWit2x, que no final de 2017 pretendia aumentar o tamanho do bloco do Bitcoin, permitindo assim mais transações. Ao final de meses de discussão, com bastante oscilação nos preços da moeda digital, o plano foi abortado em cima da hora evitando uma provável divisão da criptomoeda em duas. Para a próxima versão do Bitcoin, nada de tão polêmico está sendo considerado (até agora pelo menos).

Apesar dos percalços que aconteceram pelo caminho e de toda a propaganda contrária, é surpreendente que o Bitcoin tenha originado um mercado de quase US$ 300 bilhões em apenas dez anos. Isto tudo com uma hierarquia absolutamente simples e dependente em boa parte da paixão dos seus desenvolvedores. A boa notícia é que nada indica que estes dois fatores (simplicidade e paixão) estejam diminuindo.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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