Uma das principais vantagens atribuídas às criptomoedas é a incensurabilidade, isto é, nenhum governo poderia simplesmente tomar seus Bitcoin ou alterar o histórico de transações. Mas até que ponto isto é mesmo verdade? Será que se der a louca no Trump, suas criptos estão realmente seguras?

Para tentar responder estas perguntas, o artigo “What crypto can learn from Russia’s War on Telegram” analisa os efeitos da tentativa do governo russo de censurar o app de mensagens Telegram. Esta é uma discussão relevante para nós, entusiastas de moedas digitais, porque o Telegram também busca proteger os dados dos usuários, independentes da vontade de governos.

Recentemente ouvimos bastante sobre esse aplicativo aqui no Brasil, principalmente devido a umas conversas vazadas de um certo ex-juíz federal. Vale ressaltar que, até o momento, não há nenhuma evidência que o Telegram tenha falhado na proteção dos dados e, tudo indica, que os celulares é que foram comprometidos.

Conforme o artigo apresenta, depois do Telegram ter se recusado a entregar as suas chaves de criptografia (o que daria acesso a todas as conversas de todos os usuários), o governo russo baniu 15,8 milhões de IPs associados com os serviços de armazenamento em nuvem usados pelo aplicativo. A maior parte destes IPs não tinha nada haver com a história e muitos serviços inocentes ficaram fora do ar. Essa medida é o equivalente na internet a proibir o carteiro de entregar cartas para um condomínio inteiro por causa de um único morador.

Não satisfeito, na sequência dos ataques, os alvos foram as lojas de aplicativos. Ainda não está bem claro o quanto Apple e Google ajudaram o governo russo, fato é que atualizações do aplicativo ficaram indisponíveis temporariamente para usuários. Ou seja, se alguma fragilidade no app tivesse sido encontrado nesse período, os consumidores estariam desprotegidos.

Em um último esforço, foi aprovada nova legislação que faz com que todo o tráfego da internet na Rússia tenha que propagar obrigatoriamente por servidores russos, praticamente banindo servidores estrangeiros. Desta forma, Putin e aliados podem controlar o fluxo de dados e bloquear mensagens destinadas a aplicações específicas.

Voltando as criptomoedas, sinto muito informar que hoje elas estariam sujeitas a sanções parecidas, ou seja, os governos não conseguiriam alterar o que existe nas wallets ou modificar os protocolos das moedas digitais, mas você poderia ser impedido de fazer transações.

O artigo ainda dá ainda a única alternativa para modificar esta situação: precisaríamos utilizar só tecnologias descentralizadas, desde lojas de aplicativos até servidores, o que levaria um bom tempo e recursos para desenvolvimento, mas que é sim possível.

Até lá melhor deixar o Trump preocupado com o muro…

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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