***texto originalmente publicado na Newsletter de 25/06/2019***

Imagine uma comunidade que ficou em ecstasy. Não existe site/portal/twitter envolvido com criptomoedas que não tenha dado seus (vários) palpites sobre a criptomoeda do Facebook, a Libra Coin. Admito que considerei a hipótese de ser diferentão e tratar aqui sobre outro tema, mas vi que não tenho como competir com o interesse que a maior rede social do mundo desperta nas pessoas.

Semana passada, junto com os detalhes sobre a associação que vai gerenciar esta moeda, foi liberado um White Paper técnico com pormenores do que os próximos dois anos de desenvolvimento buscarão alcançar. É neste documento que pretendo focar no texto de hoje e apresentar as principais diferenças em relação aos blockchains que já estão em operação.

A primeira distinção clara é que não faz sentido chamar Libra de blockchain. Afinal, nessa nova rede, as transações não serão agrupadas em blocos como na maioria das outras criptomoedas. A pretenção é que as transações ocorram sequencialmente e não agrupadas. Essa é uma ideia interessante e que tem potencial de diminuir o tempo para confirmação de pagamentos, característica bastante importante para que a rede venha a ser usada no dia a dia.

Outra questão interessante é que a Libra Coin não terá seu valor atrelado a uma moeda nacional, como é o caso do Tether, mas a ideia é que o seu valor também não flutue como uma criptomoeda tradicional. Para isso, serão mantidas reservas que funcionarão como uma espécie de lastro. Não foi especificada a relação entre moedas em circulação e reservas e ainda fez-se a ressalva que moedas podem ser criadas/destruídas dependendo da demanda. Meu palpite é que essas reservas serão grandes o suficiente para garantir a taxa média de saques, da mesma forma como acontece com os bancos hoje.

O algoritmo de consenso, que determina quais transações podem acontecer, vai se chamar LibraBFT e é bastante diferente do proof-of-work, método mais usado nas criptomoedas. Enquanto o proof-of-work se baseia no poder computacional para garantir a segurança da rede, o novo método utiliza uma votação: um participante propõem um conjunto de transações válidas e os demais componentes votam se essa proposta é válida. Este algoritmo lembra bastante o proof-of-stake, que blockchains mais novos já estão implementando e alguns antigos (como o Ethereum) pretendem migrar.

Na rede Libra, quem pode votar para decidir sobre a validade das transações, os chamados validadores, não será qualquer um, como na maior parte dos blockchains. Somente quem fizer parte da associação Libra terá esse poder, pelo menos inicialmente. Francamente, isto não me surpreende. Eu não esperava que Facebook e companhia abrissem mão do controle sobre rede. Além disso, ao se permitir somente validadores de “confiança”, tende-se a aumentar a segurança da rede nos estágios iniciais.

Testes iniciais demonstram que poderão ser tratadas entorno de 1000 transações por segundo e espera-se que este valor venha a aumentar. Quanto o tempo total para o processamento de uma transação, estima-se que gire na faixa de 10 segundos. Números bons mas não impressionantes e que não serão suficientes se esse projeto for um sucesso global.

De modo geral, o grupo de desenvolvimento técnico foi bastante feliz no que apresentou para o mundo. O grande mérito foi reaproveitar o que deu certo nestes quase dez anos de criptomoedas/blockchain e fazer melhorias nos pontos em que as redes já estabelecidas têm enfrentado dificuldades. Não será por problemas técnicos que esse processo vai falhar.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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