**Conteúdo originalmente publicado em nossa Newsletter em 14/05/2019**

Entre 2017 e 2018 foram levantados mais de US$10 bilhões com as ICOs (Initial Coin Offering), método de financiamento de projetos que faz uso de tokens emitidos por algum blockchain (normalmente o Ethereum). O tempo passou – e não foi muito tempo – e percebeu-se que a maior parte daqueles projetos disruptivos nunca seriam entregues, que muitos dos empreendedores sumiram e que o dinheiro investido não voltaria nunca.

Chegou 2019 e a história das ICOs não está mais fazendo sucesso.

Fazer o que então? Trabalhar de verdade nos projetos antes de tentar levantar milhões de investidores? Capaz né… Muito melhor oferecer a mesma coisa com um nome diferente. Vai que cola!

E não é que está colando? Agora você não vai mais ouvir falar de ICO, a moda são as IEO (Initial Exchange Offer).

Para explicar de forma simples, uma IEO é na verdade uma ICO em que uma exchange é usada como intermediária no processo de levantamento de fundos.

Fazendo um paralelo com as ações, quando uma empresa quer lançar suas ações em bolsa, ela busca um banco para correr atrás dos clientes gerenciar a IPO. No caso da IEO, a exchange escolhida faz a divulgação token, garante um preço mínimo e, após o IEO, lista o token na própria exchange para negociações.

Este último item, a garantia da listagem do token, é para mim a maior vantagem das IEOs sobre as ICOs. Era muito comun nas ICOs os compradores de token não terem onde negociarem seus ativos, afinal, a listagem em uma exchange chega a custar alguns milhões de dólares. Com essa garantia, este problema tende a ser resolvido.

No entanto, minha grande crítica ao modelo, tanto das IEOs quanto das ICOs, é que o dono do token não tem direito a nada. Ele não pode votar no conselho da empresa e não vai receber o que sobrar da massa falida (após empregados, governo e fornecedores) como acontece nas ações. As únicas garantias são as promessas feitas por quem quer receber o finaciamento.

Eu entendo que as exchanges não vão querer se queimar intermediando fraudes explícitas. Mas a assímetria de risco ainda é muito negativa para o investidor: a exchange, a quem cabe a curadoria, irá receber sua parcela de qualquer forma, enquanto isso, o investidor está exposto a todos os riscos. Será essa curadoria tão confiável?

Alguns dados sobre as IEOs:

– Algumas das maiores exchanges do mundo já tem suas plataformas de IEO ativas ou em processo de implantação. É o caso de Binance, OKEx, Bitfinex.

– IEO do BitTorrent levantou US$ 7.2 milhões em 15 minutos.

– O IEO do Fetch.AI atingiu US$ 6 milhões em 22 segundos.

-A Bitfinex planeja conseguir US$ 1 bilhão. (Atualizando que na segunda, 13 de Maio eles anunciaram que conseguiram).

Os números acima mostram que o potencial de plataformas globais para o financiamento de projetos é gigante. Meu pé atrás com essas iniciativas é que, quando se compra gato por lebre, não faz diferença se o gato está no Brasil ou na China. E não, dessa vez não vai ser diferente.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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