Quando surge uma tecnologia nova, a forma como ela vai afetar a sociedade não é inicialmente clara, ou você acha que há vinte anos já se sabia como a internet moldaria a sociedade de hoje?

O que normalmente acontece no ciclo de vida de uma tecnologia, é que num primeiro momento, dezenas (ou milhares) de aplicações pipocam pelo mundo. Aí a tal da seleção natural começa a atuar e algumas campeãs começam a emergir, estas sim transformam a sociedade e a gente não consegue mais imaginar a vida sem elas. Porém, no começo, nada disso era óbvio ou previsível.

Quando o assunto é blockchain, essas ideias disruptivas (palavra de moda) continuam fervilhando. Algumas delas tentam mexer em estruturas convencionais e que estão em vigor a centenas de anos. A própria ideia de moedas totalmente independentes de governos nacionais é um exemplo desse potencial inovador.

Outra dessas ideias audaciosas ligada ao blockchain, mais especificamente aos smart-contracts, é o conceito de organizações descentralizadas e autônomas, chamadas normalmente de DAO (Decentralised Autonomous Organisations).

Se formos analisar como uma empresa de capital aberto funciona, temos os acionistas escolhendo os gestores e cabe a estes de fato implementar as políticas da organização. No modelo de um DAO, os acionistas são as pessoas que possuem um determinado token e a governança não é mais realizado por pessoas, mas sim smart-contracts.

Sim, eu sei que a ideia de substituir gestores por programas de computador pode parecer muito radical. No entanto, se formos analisar toda a sobrecarga que as atuais estruturas organizacionais top-down geram, faz todo sentido considerar alternativas.

Dentre as tentativas de por em prática esse modelo descentralizado, o que tem dado mais certo são as iniciativas relacionadas ao financiamento de projetos (crowdfunding). Neste caso, normalmente levanta-se uma quantia inicial através da venda de tokens e os adquirentes decidem quais projetos devem receber investimentos. O lucro gerado pelos projetos financiados é então dividido entre os detentores do token.

Na criptomoeda DASH, 10% da remuneração gerada na criação dos blocos é destinada a um fundo para fomento de projetos de melhorias da própria moeda. Qualquer pessoa pode submeter projetos candidatos ao financiamento e a aprovação é determinada por votação entre os MasterNodes (pessoas que têm 1000 DASH’es bloqueados em uma conta específica e que decidem sobre o destino da rede). Com esse exemplo, outra vantagem do modelo DAO fica evidente: o poder de decisão fica mais perto de quem realmente tem skin in the game (quem tem algo de valor em jogo por uma ideia).

Um dos problemas que as DAOs têm enfrentado é a incerteza jurídica. Afinal, se em uma empresa de capital aberto o CEO é o responsável jurídico, quem deve ser responsabilizado no modelo DAO, em que o CEO não existe e os acionistas estão espalhados pelo mundo, muitas vezes identificados somente por uma sequência aleatória de caracteres?

Talvez daqui vinte ou trinta anos DAO seja o modelo padrão para organizações ou talvez ninguém mais fale sobre isso. No entanto, eu considero este um excelente exemplo de como a tecnologia do blockchain tem potencial de chacolhar as estruturas tradicionais que temos por aí.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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