Há algum tempo fui a uma palestra de um suposto especialista em Criptomoedas e fiquei impressionado. O cara vendia o blockchain, a tecnologia por trás das moedas digitais, como a solução de quase, senão todos os problemas da humanidade. Olhando os outros espectadores, era visível a empolgação.

Aparentemente esperar por uma tecnologia assim, que quase como uma intervenção divina, resolva nossos problemas não é característica exclusiva dos espectadores daquela palestra. A febre das ICOs, captação de recurso por meio de Criptomoedas para projetos em grande parte de aplicação de blockchain, mostrou que existem muitas outras pessoas igualmente esperançosas (ou gananciosas).

Mas, infelizmente para essas pessoas de bom coração, não foi dessa vez: a maioria abismal das ICOs fracassou e o blockchain não é a solução de todos os nossos problemas.

Assim como usar um carro de passeio para atravessar um oceano pode não ser a melhor escolha, forçar o uso de blockchain em uma aplicação não vai fazer o seu produto melhor, pelo contrário. Depois que tudo der errado, não adianta culpar a tecnologia, ela somente foi aplicada fora de contexto.

Mas qual o contexto para usar o blockchain? Quem realmente precisa dessa tecnologia?

Procurando as respostas para essas perguntas, encontrei cinco pontos1 a serem considerados na hora de adotar ou não o blockchain em um projeto:

  1. Há a necessidade de um banco de dados compartilhado?

  2. Há a necessidade de diferentes partes terem permissão de escrita neste banco de dados?

  3. Algumas dessas partes são possivelmente suspeitas ou mal-intencionadas?

  4. É importante remover intermediários do processo?

  5. As diferentes partes devem poder independentemente escrever transações sobre um terceiro?

Se um ou mais dos questionamentos acima for respondido com “não”, então provavelmente existem outras tecnologias mais adequadas ao problema do que o blockchain. Por exemplo, ao considerar fazer o banco de dados interno de sua empresa em blockchain, todas as respostas seriam facilmente “não”.

Porém, no caso de integração da cadeia produtiva globais, a resposta para cada uma das perguntas acima seriam:

  1. Sim. O objetivo de integrar a cadeia de suprimentos é justamente criar uma base de conhecimentos conjunta.

  2. Sim. A grande quantidade de agentes dificultaria a centralização.

  3. Sim. Por nem todas as partes serem confiáveis é necessário rastrear a cadeia de suprimentos.

  4. Vide 2.

  5. Sim. Cada ator da cadeia produtiva deve poder atualizar o status de um produto.

Bingo! De fato faz sentido considerar o blockchain para essa aplicação.

Viu só? Não é tão difícil de perceber que nem todas as coisas precisam de blockchain. Isso não significa que a tecnologia é ruim, pelo contrário, ela abriu novas e incríveis possibilidades, simplesmente existem lugares em que aplicá-la faz sentido. Lembre-se disso na próxima palestra sobre o tema ou se a alguém te oferecer uma ICO.

1 TO BLOCKCHAIN OR NOT TO BLOCKCHAIN: THAT IS THE QUESTIONIT Professional ( Volume: 20 , Issue: 2 , Mar./Apr. 2018 )

V. Gatteschi, F. Lamberti, C. Demartini, C. Pranteda, V. Santamaría

https://ieeexplore.ieee.org/document/8338007

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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