O ano de 2018 já não estava fácil para os investidores de moedas digitais. Para piorar, os eventos da segunda metade de novembro não ajudaram nenhum pouco a mudar essa tendência. Estou falando da divisão que ocorreu no Bitcoin Cash, até então a quarta maior moeda digital em capitalização de mercado.

Vamos aos fatos.

Em 15 de novembro ocorreu o chamado hard-fork na rede do Bitcoin Cash. Um hard-fork ocorre quando atualizações não compatíveis com a versão em vigor são ativadas. Nesse instante, se nem todos os mineradores atualizarem seus sistemas para a nova versão, passaremos a ter duas moedas: uma suportada pelo software pré-atualização e outra, pela nova versão. Na prática serão duas moedas digitais diferentes.

Um hard-fork não é exatamente uma novidade nas criptomoedas, o próprio Bitcoin Cash é o resultado de um hard-fork do Bitcoin Core realizado há pouco mais de um ano. A questão é que no dia 15 de novembro não tivemos somente um hard-fork, mas dois.

Duas vertentes dentro do Bitcoin Cash não chegaram a um acordo sobre as modificações que deveria ser ativadas nesse dia e cada uma resolveu atualizar o software do seu jeito. Essas correntes, o Bitcoin SV e Bitcoin ABC, passaram então a brigar para ver quem deveria herdar o nome Bitcoin Cash. Como nas criptomoedas a forma de demonstrar poder é exibindo desempenho computacional, ou hash power, a disputa para ver quem era mais poderoso foi chamada de hash war.

Comparação entre hashpower entre Bitcoin SV e Bicoin ABC após o hardfork.

Outro fato interessante dessa disputa é que, inicialmente, nenhum dos lados aplicou o chamado replay protection. Isso era necessário, pois ambos eram derivados de uma mesma rede e, por isso, as regras para validação das transações eram exatamente as mesmas. Assim, sem essa proteção, se uma transação fosse validada na rede do Bitcoin ABC, ela poderia ser replicada por pessoas má intencionadas na rede do Bitcoin SV, e vice-versa. Nenhum dos lados queria implementar essa proteção pois, ao fazer isso, estaria assumindo ser a corrente dissidente e não o “verdadeiro” Bitcoin Cash.

Oito dias depois e com vários milhões de dólares gastos na tentativa de sustentar a hashwar (fala-se em até US$ 12 milhões), o Bitcoin SV capitulou. Depois disso cogitou implementar (ainda sem prazo firme) o replay protection e abriu mão do nome Bitcoin Cash (na marra porque as exchanges o deram para a vertente ABC). Desde então cada moeda passou a seguir seu caminho de forma independente.

O mais triste é que essa bagunça toda não foi motivada por visões totalmente incompatíveis no desenvolvimento para o BCH, mas sim por política. Tínhamos dois grupos poderosos de mineração brigando pelo controle do BCH e, a consequência dessa divisão, é que a mineração das moedas resultantes se tornou bem mais centralizada.

Além disso, a hashwar, considerada o maior evento das Criptomoedas em 2018, ainda teve consequências negativas em todo o ecossistema das moedas digitais. Para sustentar os custos extras em poder computacional, ambas as partes envolvidas precisaram vender BTC, forçando o preço dessa moeda para baixo e afetando o mercado como um todo. Ainda, fragmentar a comunidade e adicionar novas incertezas dificultam conversas com reguladores e a aceitação das Criptomoedas como um todo.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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