Afinal, o que é o Bitcoin?

Afinal, o que é o Bitcoin? Essa pergunta não tem uma resposta fácil e direta e talvez, como humanidade, ainda não tenhamos a real resposta para essa pergunta. Murad Mahmudov, bateu um papo com Antonhy Pompliano e o podcast deles é a inspiração para o texto de hoje.

Bom, é certo dizer que talvez mais de uma centena de definições se aplique à Criptomoeda. Um bom começo é afirmar que o Bitcoin é uma nova forma de dinheiro, diferente de tudo que foi visto antes, porque ao contrário de seus pares (o ouro por exemplo), o Bitcoin possui seu mecanismo de liquidação, reserva de valor, armazenamento e custódia, pagamentos e transferências entre contas já embutidos nele.

Atendendo as definições clássicas de dinheiro, ele divisível, fungível (momento cultural: fungibilidade é a característica inerente as commodities, ou seja, um Bitcoin é um Bitcoin assim como um grama de ouro é um grama de ouro e um grão de soja é um grão de soja), contabilizável, possui valor, etc… Em resumo, possui SIM todas as características que Krugman e Roubini dizem que ele não tem.

O blockchain, como gostam de dizer alguns “especialistas” não é o Bitcoin, o blockchain é um dos componentes do Bitcoin, assim como o hash, assim como a criptografia assimétrica (chaves públicas e privadas), assim como o proof-of-work (mineração). O Bitcoin é um conjunto complexo muito interessante.

De novo, muita gente erra ao tentar achar paralelos ao Bitcoin no mercado convencional. Não, o Bitcoin não deve ser comparado a PayPal ou Visa… Os serviços na camada superior do Bitcoin sim podem ser comparados aos serviços mencionados (Ligthning Network, Blockstream Liquid e as demais chamadas sidechains ). A comparação mais justa para ter um relativo entendimento do Bitcoin talvez seja um “Banco Central”.

De novo vamos lidar com um bicho diferente… Um Banco Central mundial onde as regras são definidas por consenso (vontade da maioria) e onde o poder político ou a influência simplesmente nada significam. Pois é, se você tem 1 Satoshi (0.00000001) ou 1.000 Bitcoin você é igual perante o protocolo, que em nada diferencia “ricos e pobres”, bem diferente da realidade dos governos.

O protocolo de governança do Bitcoin não liga se você é bolsominion ou petista, democrata ou republicano, gay ou heterossexual, são todos iguais. Quem está descontente tem a liberdade de divergir e seguir sua vida (os chamados Hardforks), desse momento em frente é cada um por si e é responsabilidade dos descontentes garantir que haverá Proof-of-Work o suficiente para que sua dissidência consiga sobreviver.

O mais legal do Bitcoin é que ele vem vindo de baixo para cima e começa a apertar governos e reguladores. O mercado de Criptomoedas é minúsculo, talvez apertar governos seja um exagero e o mais adequado seja comparar a uma minúscula pedra no sapato, mas de novo, essa pedra é diferente.

Todas as iniciativas anteriores (a ideia de dinheiro digital não é nova e nem inédita) fracassaram porque tinham “um dono”, uma entidade que controlava e consequentemente, um ponto único de falha. Bastava um aperto regulatório, um deslize do dono ou até mesmo uma falta de interesse do mantenedor e fim, o problema estava extinto.

Como fazer com um protocolo distribuído e descentralizado, em que dezenas de milhares de voluntários mantém suas máquinas ligadas na tomada pelos mais variados motivos, que vão desde o entusiamo puro e simples até a recompensa econômica dos mineradores. É uma pedra no sapato que não pode ser tirada (problema sem solução se você é do time que acha que o Bitcoin é um problema, a tal incensurabilidade).

Então, não espere que a turma dos Bancos Centrais, dos governos, dos departamentos de economia das universidades aceitem de peito aberto uma coisa que vem de baixo. Quem estava acostumado a ditar as regras, a mandar, a orientar a criação de conceitos e formar opinião agora tem que engolir de atravessado uma iniciativa completamente espontânea da sociedade.

A simples existência do Bitcoin é uma afronta ao ego economistas colecionadores de prêmio Nobel, e haja ego.

Junto com a Criptomoeda, surgiu mais um novo conceito até então desconhecido, a escassez digital. Até então bits e bytes tinham em sua natureza a propriedade de serem replicados livre e infinitamente. Não mais… No Bitcoin serão 21 milhões e fim. Quem têm, têm, quem não têm compre de quem têm. É a escassez artificialmente programada em código (pouca gente fala disso, mas essa é uma das grandes inovações que veio com o Bitcoin).

Quem está acostumado mandar na impressora de dinheiro está em pânico com o que o Bitcoin um dia pode se tornar. Com certeza serão inventados os bons e velhos derivativos e mecanismos de multiplicação (dívida) como sidechain do Bitcoin, mas o acesso ao núcleo, ao ativo em si continua disponível para quem quiser.

O Bitcoin pode dar errado? Claro que pode… Como todo software está sujeito a bugs e falhas catastróficas, mas lá se vão 10 anos de Proof-of-Work acumulado e total integridade na troca de valor. O Bitcoin está funcionando hoje exatamente como estava funcionando há um ano atrás e no ano anterior. Ele sobreviveu a todas as sentenças de morte.

Ainda não sabemos direito o que é o Bitcoin, mas o fato é que estamos nos primeiros dias de uma potencial revolução e a relação risco/retorno embutida em apostar no Bitcoin é única se comparada a TODOS os outros tipos de investimentos disponíveis para o seu dinheiro.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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