O câmbio está dando um belo susto nos brasileiros do meio do ano pra cá, e não se sinta perseguido com praga da desvalorização cambial. Perto de argentinos e turcos estamos surfando uma relativa onda de estabilidade cambial… Sim, os argentinos perderam 50% do poder de compra do seu dinheiro nos primeiros 8 meses… Não está sobrando um único emergente e nosso Real está sendo castigado junto com as moedas de África do Sul, Irã, Colômbia, entre outros.

Mas por quê? O noticiário local tende a dizer que incerteza das eleições são o grande motivo para a corrida do dólar, o que é uma meia verdade. De fato, o cenário eleitoral é complexo e gera incertezas, mas o motivo bem mais forte por trás da queda nas moedas dos países emergentes é…

O crescimento absurdo da economia norte-americana. Pois é, o PIB americano, no atual ritmo, deve entregar um crescimento de 4,2% em 2018. Isso é uma monstruosidade! A perda de valor das moedas emergentes nada mais é que uma resposta natural a esse crescimento.

Não chego a essa conclusão sozinho, sábado passado, embalado por alguns mojitos tive a oportunidade de passar umas boas duas horas aprendendo muito sobre esse tema com um amigo que realmente entende do tema, meu amigo Erasto. Além de um economista brilhante, tem mais de 30 anos de Banco Central nas costas, e por isso achei pertinente trazer uma breve explicação para os nossos investidores.

Em resumo, a locomotiva da economia americana está a todo vapor e sendo superalimentada por uma política de barreiras (impostos sob importação) somada a uma política de redução de impostos das empresas lá estabelecidas… Bastaram pouco mais de 18 meses da administração Trump para que os efeitos sejam notados no crescimento econômico e no pleno emprego.

Sob a ótica do mercado internacional (leia-se taxa de câmbio), aqui em nosso bananal (assim como nos demais emergentes) temos duas chances para competir:

1 – Aumentar a competitividade, ou seja, produzir mais com menos, reduzir custos e conseguir entregar para o mundo (e em especial para o grande comprador, os EUA) produtos e serviços por preços que possam competir no mercado local. (A China é a única que se esforça para ir por esse caminho…)

2 – Desvalorizar o câmbio. Assim, mesmo sendo um poço de anti-produtividade, não precisamos fazer absolutamente nada, apenas esperar a boa e velha natureza agir por si e derrubar a cotação da nossa moeda, tornando nossos produtos e serviços baratos aos olhos dos compradores.

Para resumir a historinha do câmbio, a economia americana está sendo artificialmente superalimentada e consequentemente o nosso câmbio (e o dos emergentes) está sendo artificialmente desvalorizado pelas mesmas forças. Há um desequilíbrio flagrante se formando. Uma hora a música para de tocar e a festa acaba, é sempre assim, dessa vez não será diferente.

O racional da coisa é o seguinte. Imagine que você têm um estado de pleno emprego e que sua economia cresce mais rápido do que você é capaz de gerar mão de obra, adicione uma política anti-imigração (que limita a aquisição de mão de obra). O que você faz para reter seus funcionários? Sobe os salários ou eles vão trabalhar no vizinho que está pagando mais. O que seus funcionários fazem com o dinheiro que sobra? Gastam… O que o comércio faz quando todo mundo quer comprar? Sobem os preços… O resto é história…

Posto isso, alguns cenários são possíveis. No curto prazo, adivinhem, a corrente vai estourar em seu elo mais fraco e os emergentes vão levar muita porrada cambial nos próximos meses (anos?).

Pra quem investe em Criptomoeda, já estamos observando coisas interessantes. Argentinos, Iranianos e Turcos estão aumentando significativamente seu apetite pelas Criptomoedas, ou seja, o Bitcoin e seus pares estão sim, sendo vistos pelos mercados como uma opção as moedas locais, que estão sofrendo forte desvalorização.

Arrisco a dizer que essas crises relativamente pontuais e limitadas aos emergentes são um excelente termômetro para analisar o comportamento do investidor em caso de um problema com uma economia maior. Esse movimento de compra de Criptomoeda pelo investidor emergente deve ajudar a sabermos onde fica o chão e o quão baixo pode ir o preço do Bitcoin (pessoalmente acho que já estamos perto desse valor).

Enfim, a contrapartida do crescimento anabolizado do Tio Sam é a dívida que ele está fazendo para financiar essa coisa toda. O volume da dívida americana não está sendo compensado pelo crescimento da economia, pelo contrário, para fomentar (artificialmente) e economia, o governo Trump está se endividando mais e mais e mais e mais… Por enquanto, ninguém está cobrando a conta e todos acham que vão receber… Até que um dia a conta chega.

A solução será… Imprimir dinheiro (de novo).

Sim, não há outra solução conhecida, mas dessa vez o cenário é outro. Uma coisa foi imprimir dinheiro em meio a uma recessão que quase levou o sistema bancário mundial para o buraco em 2008, outra coisa completamente diferente será imprimir dinheiro em uma economia estimulada, aquecida e com pleno emprego. Será mesmo que a inflação não virá de novo?

O estopim de tudo isso? Pode ser uma guerra, pode ser um calote da Itália para com a União Europeia ou a iminente quebra do Deutsche Bank… Ninguém sabe ao certo…

No cenário local, nenhum candidato com reais chances de chegar ao poder parece ter uma agenda que vá realmente melhorar nossa produtividade. No cenário global, se você busca se proteger contra situações relativamente prováveis, o Bitcoin negociado abaixo de USD 10mil é uma barganha…

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