Antes de entrar propriamente no tema de hoje, vamos recapitular um pouco o que é blockchain.

Um blockchain é um registro público, descentralizado e auditável que armazena um conjunto de transações em uma sequência de blocos. Esse sistema permite que se alcance um consenso sobre transações válidas sem que as partes envolvidas confiem uma nas outras. Os blocos são encadeados de uma maneira que para se alterar um bloco publicado no passado, todos os blocos seguintes também teriam que ser modificados.

A maioria das aplicações de blockchain que a gente conhece são de blockchain públicos, como por exemplo Bitcoin, Ethereum etc. Isso significa que qualquer um de nós pode atuar nessas redes, como por exemplo, enviando e recebendo moedas digitais.

Na versão privada, como o nome já indica, só alguns indivíduos autorizados podem ver e atuar nessa rede. Uma grande empresa que atua nessa área é a IBM. Ela oferece serviços baseados na plataforma para criação de blockchain privado chamado Hyperledger Fabric. Esse projeto é gerenciado pela Linux Foundation (a mesma do sistema operacional) e tem como principais bandeiras a confidencialidade nas transações e maior flexibilidade em relação a blockchains públicos.

Não só a ideia de um blockchain privado pode parecer contrária ao conceito de blockchain, como existem diversas críticas.

Primeiro, se você olhar o histórico de transações de moedas digitais como Monero (https://moneroblocks.info/), vai ver que confidencialidade pode ser garantida por blockchains públicos. Essa moeda especificamente garante a confidencialidade dos usuários uma vez que quem envia e recebe transações não tem sua assinatura digital publicada, diferentemente do que ocorre em moedas como o Bitcoin.

Segundo, procurei por exemplos que demonstrassem como os blockchains privados poderiam ser mais flexíveis que os tradicionais. Resultado: eu não encontrei soluções que não pudessem ser implementadas sem prejuízos por smart contracts em blockchains públicos.

A última crítica refere-se à segurança. Uma das maiores garantias dos blockchains públicos é justamente o fato de QUALQUER um poder ser um auditor. Quantas pessoas vão fazer auditoria em um blockchain privado? Quais os seus interesses?

Apesar de polêmico, eu mesmo já participei de um projeto que envolvia o uso de blockchain privado e baseado na rede do XRP. Inicialmente até cogitou-se utilizar a rede pública dessa moeda mas foi decido por uma rede privada mesmo. Admito que a cada pico de preço do XRP comentávamos que a escolha por uma rede privada tinha sido acertada.

Enfim, desconfie se alguém te oferecer um super blockchain privado que tenha inúmeras características que os outros não tem. Existe uma grande possibilidade de estarem te vendendo gato por lebre. Mesmo assim, em um mercado com preços tão voláteis e dependendo da aplicação, controle sobre a rede pode ser sim uma vantagem.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

Assine a nossa newsletter
Receba o conteúdo que interessa para o investidor em Criptomoedas!
Obrigado por assinar a nossa newsletter!
We respect your privacy. Your information is safe and will never be shared.
Don't miss out. Subscribe today.
×
×
WordPress Popup Plugin