Nessa última semana, a quarta maior moeda digital em capitalização de mercado, o Bitcoin Cash, sofreu alterações importantes no seu código e quase ninguém ficou sabendo. Acontece que não é sempre assim: muitas vezes essas mudanças causam polêmica, oscilação nos preços e até mesmo o surgimento de uma nova moeda.

Para quem não é da área de exatas/informática, o funcionamento de um programa de um computador pode parecer um mistério. Mas de forma bem superficial um software (ou programa de computador) pode ser entendido como um conjunto de instruções que uma máquina, no caso o computador, deve executar em uma determinada ordem para alcançar um determinado objetivo, como por exemplo, exibir esse texto que você está lendo.

Acontece que quem escreveu esse conjunto de instruções pode cometer erros que precisam ser corrigidos e, outras vezes, deseja-se adicionar novas funcionalidades. Dependendo da complexidade dessas alterações, o novo código pode ou não ser compatível com o antigo. Por exemplo, os usuários do Windows estão acostumados com constantes e intermináveis pedidos de atualizações. Nesse caso, temos uma mudança de código que é compatível com a anterior. No entanto, aproximadamente a cada cinco anos, a Microsoft lança (ou lançava) um novo Windows que requeria uma nova e completa instalação, por esta versão ser incompatível com a anterior.

No mundo das criptomoedas é parecido: existem erros que precisam ser corrigidos, novas funcionalidades que precisam ser implementadas e, consequentemente, mudanças de código. Contudo, como não existe uma autoridade central que determina qual é o código “certo”, a adoção dessas modificações depende da adesão dos participantes. Acontece que nem sempre os participantes concordam entre si. Então diferentes versões de código podem passar a coexistir. Nesse caso, utiliza-se a nomenclatura soft fork para alterações compatíveis e hard fork para modificações incompatíveis.

O Bitcoin Cash é um exemplo de um hard fork em que divergências levaram à criação de uma nova moeda a partir do Bitcoin. Mas não precisa ser assim. Como ocorreu na semana passada, o hard fork para a implementação de melhorias foi aceito pela maioria da comunidade e, hoje, o Bitcoin Cash possui blocos maiores (32 MB contra 8 MB anteriormente) e passou a processar smart contracts.

Na verdade a maior parte das moedas digitais que existem são resultado de algum hard fork, muito provavelmente do Bitcoin. Para quem tiver interesse, o site mapofcoins apresenta a “árvore genealógica” de muitas criptomoedas, com algumas moedas sendo inclusive o hard fork de um hard fork.

Eu já falei várias vezes aqui sobre alguns problemas técnicos que as moedas digitais ainda precisam resolver. Além disso, há ainda diversas diferenças políticas entre grupos de desenvolvedores, mineradores e comunidade. Por isso, é totalmente previsível a ocorrência de novos hard forks das principais moedas digitais até a consolidação dessa tecnologia, por isso, fique atento investidor!

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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