Eu estava seguindo aqui um caminho lógico, explicando a assimetria de risco, que você não captura as oportunidades se estiver fora do mercado e o porquê que você deve ter ativos não correlacionados (e de risco) em sua carteira.

Essa semana vou entrar em algo mais estrutural (e infelizmente mais chato). O assunto parece ser uma teoria da conspiração, mas não é (eu gostaria que fosse). É extremente difícil me fazer claro o suficiente em uma publicação direcionada ao público em geral, mas o tema é importante demais para ser negligenciado.

Vou dividir o tema em duas semanas, com as causas nessa e as consequências na próxima, e você vai entender porque a Criptomoeda vai fazer muito sentido em futuro não tão distante.

O gráfico abaixo mostra o balanço dos principais bancos centrais do planeta. Peço especial atenção para que vocês vejam o que acontece de 2008 (a última grande crise econômica) para cá.

Bom, vejam que uma emissão de 14 Trilhões de Dólares (lembrando que o PIB do mundo é algo próximo a 80 Trilhões de dólares) em praticamente 10 anos.

Tá, e daí, o que isso significa? De forma resumida e simplista (mas honesta), a consequência direta dessa expansão monetária significa uma dívida, uma grande (bem grande) dívida.

Quer saber a parte ruim? Essa dívida é impagável. Isso mesmo, o mundo como o conhecemos está quebrado e (quase) ninguém fala sobre isso.

Essa emissão desproporcional de dinheiro foi feita com base no absolutamente nada (sem lastro – e não, não estou falando de Criptomoeda ainda), o tal “dinheiro de helicóptero”, termo cunhado pelo Nobel de economia Milton Friedman para descrever os efeitos da expansão monetária mediante “distribuição de dinheiro”.

Aconteceu que em 2008 o sistema financeiro tradicional quase foi pro beleléu… a solução para evitar o contágio e uma grande crise sistêmica foi injetar liquidez (grana pesada) na economia a fim de evitar o efeito dominó e um banco quebrar depois do outro. Entregaram o Lehman às piranhas e fim. Só lembrando que os bancos não tem dinheiro para honrar com seus depósitos mais isso é história para outro dia.

Em resumo (bem resumido porque a coisa não é tão simples assim), os governos saíram comprando títulos da dívida à vista (para injetar dinheiro em circulação), e como não tinham caixa para isso, imprimiram o dinheiro necessário para fazer essa recompra.

Além disso, era necessário emprestar um dinheiro que não existia ou os bancos e corporações iriam colapsar. O que foi feito?

Imprimiu-se mais dinheiro (a partir do nada) para ser emprestado a juros muito (mas muito) camaradas, quase igual aquele empréstimo que você fez ao seu cunhado, e em algumas partes do mundo (Japão por exemplo) com juros negativos – sim, em alguns casos você deveria daqui a um ano um valor menor do que você pegou emprestado.

E o que a turma fez com esse dinheiro?

Vejam a figura acima, em que a linha azul é o balanço do FED (banco central americano) a linha vermelha é a valorização do índice SP500 (principal índice da bolsa americana).

Pois é, a turma pegou dinheiro a juro baixo (ou negativo) e saiu comprando ações na bolsa como se não houvesse o amanhã. Já que deixar o dinheiro parado no banco não estava rendendo quase nada… Um rally sem precedentes tomou conta das bolsas no mundo “desenvolvido”.

Mas tudo que é bom dura pouco… A festa uma hora tem que acabar, e estamos vendo os garçons começando a acender a luzes e a fazer aquela pressão para você fechar sua conta. Quero dizer que os Bancos Centrais precisam começar a recolher o dinheiro e enxugar essa liquidez tremenda.

Como? Da única forma que a humanidade descobriu até hoje. As nações emitirão dívida e pagarão juros em percentual suficiente para ser atrativo ao investidor. Haja crescimento para pagar juros sobre 20 trilhões de dólares.

Embora um pouco desatualizado (o quadro piorou com as isenções de impostos de Trump), o gráfico a seguir mostra realidade dos EUA (economia na qual grande parte das nações baseiam suas reservas):

Na Europa a coisa é ligeiramente menos ruim, mas não é muito diferente.

Conclusão: Os preços das ações das empresas nas principais bolsas do mundo foram artificialmente inchados pelo excesso de dinheiro em circulação e os bancos centrais do mundo desenvolvido estão com seus balanços extremamente inchados. É necessário enxugar essa liquidez toda do mercado e o único mecanismo disponível é através da emissão de dívidas impagáveis.

Na semana que vem vou explicar a consequência dessa bagunça e os potenciais danos a economia caso a bolha da liquidez e da dívida explodam no médio prazo.

Bitcoin pode não ser a bolha, Bitcoin pode ser a agulha. Pense nisso.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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