Semana passada prometi algumas previsões sobre as Criptomoedas.

Além de ser irresistível, divertido e inerente a natureza humana, tentar adivinhar o futuro é um exercício necessário para o correto ajuste de um portfólio de investimentos.

Desconfie desde já de numerólogos, tarólogos, daquele analista que tem uma dica quente da próxima moeda exponencial (e cobra por isso) e principalmente, dos analistas gráficos (com o devido perdão ao Mr. Peter Brandt, raríssima exceção dentro da classe, esses últimos são quase um caso de generalização).

Tenho me impressionado com a quantidade de gente que pede uma previsão como se estivesse pedindo um consolo, um alento no mercado baixista, numa esperança de ouvir o que desejam… é um prato cheio para os vigaristas. Cuidado com quem alega saber o dia de amanhã!

Desculpe se você esperava respostas claras sobre qual moeda comprar ou qual seria a próxima barbada, mas meu exercício da futurologia aqui é muito mais chato, consiste em tentar prever cenários e atribuir algumas probabilidades a eles, e assim estar corretamente posicionado.

De forma geral, corretamente posicionado se traduz em ganhar algum dinheiro no cenário de maior probabilidade e não quebrar a banca no caso da materialização do cenário de menor probabilidade.

A análise técnica não é bem o que querem vender pra você

A regra do jogo é sempre estar vivo e ter fichas para jogar a próxima rodada, e na média, coletar os ganhos dos cenários de maior probabilidade, que ocorrem na grande maioria do tempo.

Enfim… indo para prometidas as previsões:

Temos muita coisa sobre a mesa, nessa semana fico focado na maior encruzilhada do mercado de Criptomoeda hoje, que é o aspecto regulatório.

Deixo as previsões sobre a questão tecnológica para uma outra semana. No atual momento, sob o ponto de vista de seus investimentos, a regulação está mais crítica que a tecnologia.

O aperto regulatório pode tomar contornos mais expressivos para o bem ou para o mal das Criptomoedas.

Se de um lado temos Japão, Coréia do Sul, França e Alemanha criando um esquema de trabalho regulatório favorável às Criptomoedas, no outro temos gigantes asiáticos como China e Índia caminhando na direção contrária.

O fiel da balança será, sem dúvida, a definição dos Estados Unidos da América.

Jogando no nosso time temos Giancarlo, diretor chefe da Commodity Futures Trading Commision (CFTC), importante agente regulador do mercado americano (função acumulada pela CVM aqui no Brasil) fazendo um reporte extremamente favorável às Criptomoedas ao congresso daquele país.

J. Christopher Giancarlo explicou, literalmente, o termo HODL para o congresso americano.

No time dos indecisos temos a SEC (equivalente a CVM americana) considerando as ICOs como ofertas de valores mobiliários e colocando gente envolvida com ICO sem permissão na cadeia (o que é correto, pelo menos ao meu olhar).

SEC atuando forte e exigindo uma série de providências por parte das corretoras (exchanges). Embora ligeiramente positiva, sua postura é paradoxal, sendo que no final do dia o mercado não faz ideia se a SEC vai abraçar ou abolir a Criptomoeda, mas uma decisão definitiva é inevitável.

Aqui entram nossos cenários.

Vamos começar pelo pior caso para nosso investimento, cenário que eu julgo ser o de menor probabilidade, que seria os EUA banirem de vez as Criptomoedas.

Nesse caso, o maior e mais rico mercado do planeta estará fora do jogo oficial e isso vai ter um impacto extremamente negativo sobre os preços de todas as Criptomoedas, levando o mercado ainda mais para baixo no curto prazo.

Com a eventual proibição americana, não me espantaria de ver o Brasil e mais uma penca de países seguirem na mesma linha, se livrando do problema de um jeito fácil (sim, proibir é o jeito fácil, mas que, sem dúvida, infligirá maior dor no longo prazo).

Investidores mais convictos vão continuar suas operações usando VPNs (redes mascaradas) e assim como na China, florescerá o mercado negro de negociação no balcão (OTC).

Na prática veremos algumas das maiores corretoras do mundo trocarem de domicílio.

Passado o baque inicial veremos os volumes no Japão e Coréia do Sul dominarem as trades e devagarzinho a Europa entra no jogo e o aos poucos o mercado começará sua recuperação.

Agora vamos ao cenário que em minha opinião é o de maior chance de acontecer, o caso em que os americanos saem de cima do muro passando a regular e suportar a Criptomoeda de forma positiva.

É o fim da incerteza regulatório/jurídica e o início da festa.

Nesse caso, meus amigos, apertem os cintos. A turma da bolha vai ficar boquiaberta. Ai sim vão ver o que é uma bolha de verdade.

O que vai acontecer é uma enxurrada de dinheiro institucional para dentro dos mais variados blockchains do mercado (ai tem um desafio técnico pela frente, mas que tá fora do texto de hoje).

Grandes Hedge Funds, fundos de pensão, family offices e por último, mas, não menos volumosos, os bancos comerciais.

Wall Street, em peso, vai entrar com muito dinheiro! Bilhões (talvez até trilhões) de dólares aportados em curto espaço de tempo e você verá o preço do Bitcoin em níveis que hoje você não é capaz de imaginar.

Com uma regulação favorável, os banimentos de Google, Facebook e Twitter cairão. Você verá cada vez mais pessoas “normais” interessadas por investir em Criptomoedas e a pressão será tão grande sobre os bancos comerciais que não haverá alternativa que não a oferta de fundos em Criptomoedas aos seus clientes.

E nesse cenário, você que investe em Criptomoeda desde já será recompensado com uma multiplicação do seu patrimônio em dezenas de vezes como foi visto entre 2011 e 2013 ou até mesmo em centenas de vezes como visto entre 2016 e 2017.

Estamos num limbo regulatório esperando por definições.

Após o estouro da bolha agora em janeiro, enquanto não houver uma definição mais clara de como será a lei ao redor do planeta, provavelmente não veremos maiores movimentações nos preços e na capitalização de mercado, e o pior, não sabemos qual é a base de tempo para essas definições acontecerem.

Vamos para o balanço geral:

No pior caso, a Criptomoeda não desaparece. A tese de investimento que faz mais sentido é como seguro contra desastres na economia tradicional, o que não é de todo o mal.

No melhor caso, uma regulação favorável poderá ser o gatilho para uma nova onda de grande valorização, ou seja, independente do cenário é desejável ter exposição aos Criptoativos.

É sempre bom lembrar que por mais que a gente vá se aprimorando na arte, minha bola de cristal pode estar quebrada. Nem de perto tenho a pretensão de estar totalmente correto, esses são apenas alguns de meus palpites. Nos falamos semana que vem.

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