Smart é o tipo de adjetivo que faz o nome que o segue parecer no mínimo 3x mais importante. Não é por acaso que não temos só um celular, temos um smartphones. A televisão também já virou uma smart TV faz tempo. A lista das smart “coisas” não para de crescer, temos também smart city, smart meter e por aí vai. Não querendo ficar para trás, o pessoal das criptos também criou o seu smart “termo”, daí surgiram os smart contracts.

Brincadeiras a parte, o termo de smart contracts é realmente utilizado para aplicações de blockchain. Eles são os responsáveis por estender as possibilidades dessa tecnologia para além do envio de dinheiro. Smart contracts funcionam como programas de computador que vêm com todas as vantagens de um blockchain, isto é, além de descentralizados, são resilientes a fraudes e incensuráveis.

Dentre todas as plataformas para execução de smart contracts que existem (e hoje existem várias), o Ethereum é a principal. A ideia é que a rede Ethereum funcione como um computador global e descentralizado para a execução dos smart contracts e os usuários deste computador paguem por processamento com Ether, a moeda da rede Ethereum.

A aplicação mais bem sucedida até o momento para os smart contracts é a emissão e gerenciamento de tokens. Traduzindo, em vez de lançar suas ações em bolsas de valores, empresas do mundo todo estão captando recursos ao vender partes de seus negócios usando moedas digitais. Nesse caso, a fração comprada da empresa não é chamada de ação e sim token. As regras para criação e uso deste token são estabelecidas por um smart contract. Em 2017 foi captada a bagatela de US$6.073.397.174 (fonte: https://www.icodata.io/stats/2017) por esse mecanismo.

Apesar disso, usos para smart contracts que vão além da emissão de tokens não decolaram até o momento. O grande problema é encontrar clientes dispostos a pagar pela descentralização e segurança que um blockchain oferece. Afinal, normalmente as pessoas só aceitam pagar por alarme monitorado depois que o ladrão fez uma visita a sua residência.

Além desse problema mercadológico, outro impedimento para a difusão desta tecnologia está relacionada à complexidade no desenvolvimento. Lembrem-se que smart contracts rodam em um blockchain e o que faz parte do blockchain não é reversível (inclusive erros). Pois é, os maiores falhas até o momento vêm justamente dessa característica. No caso mais famoso, o “DAO Hack”, 3,6 milhões de Ether foram desviados e recentemente, clientes da empresa Parity tiveram mais de 500.000 Ether bloqueados. Lembrando que hoje 1 Ether é cotado a quase US$500,00.

Outro problema comum as redes que rodam smart contracts é a escalabilidade, este termo empregado aqui no sentido de poder de processamento. Por exemplo, no final do ano passado um jogo extremamente tosco de gatinhos, CryptoKitties, fez a rede do Ethereum colapsar devido ao excesso de transações. A própria Ethereum Foundation admite essa dificuldade e recentemente anunciou um fundo de milhões de dólares para o fomento de pesquisas relacionadas à escalabilidade da rede. No entanto, até uma alternativa ser encontrada, “você não vai conseguir fazer nada que você não poderia fazer com um celular de 1999”, conforme descrito na própria documentação do Ethereum.

Dos concorrentes já em funcionamento do Ethereum, como Lisk, NEO, ninguém conseguiu ser realmente diferente até o momento. Novas alternativas como Cardano ainda vão levar algum tempo até estarem operacionais.

Pessoalmente, eu acredito que é uma questão de tempo até boa parte desses problemas sejam resolvidos e aplicações interessantes começarem a surgir. O que eu quero dizer é que o Windows da Microsoft só apareceu depois que os componentes eletrônicos chegaram a um nível que permitiu o desenvolvimento de um sistema operacional. Nas criptos, os componentes ainda estão sendo construídos, os Windows de amanhã ainda vão aparecer e aí sim teremos smart smart contracts.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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