Começamos 2017 e tudo certo na Criptolândia, nerds brincando de comprar e vender sua moeda virtual, todo dia surge uma nova moeda com uma nova bandeira, privacidade, revolucionar o mercado da canábis, eliminar os cartórios do mundo, e etc, enfim cada um levanta sua causa e lançam-se moedas digitais todos os dias.

É Março de 2017, Bitcoin responde por 85% de um mercado de 20 bilhões de dólares e ninguém dá muita bola para as moedas digitais quando de repente o preço do Ethereum dispara, a promessa de um computador mundial descentralizado (talvez a próxima grande aplicação para o blockchain depois do dinheiro) cai nas graças dos gurus da tecnologia.

A dominância do Bitcoin cai de 85% para 65% quase que do dia para a noite, Só se fala em Ethereum, meetups ao redor do mundo, grupos de WhastApp surgem e o Ether embriaga a todos como sendo o fim do monopólio de Amazon e Microsoft e suas nuvens de serviços quando na verdade o poder de processamento da rede Ethereum é mais próxima a de uma calculadora científica, mas enfim, é uma nova libertação prometida.

Em abril é o mês do Ripple. A moeda odiada por todos os anarco-libertários do mundo bitcoin por ser controlada por capitalistas do vale do silício de repente salta de fração de centavos e se multiplica em mais de 60 vezes em menos de uma semana. É a promerssa da remessa internacional a custo baixo e em tempo real.

Sul coreanos entram em modo FOMO (Fear of missing out – medo de ficar para trás) e os XRPs são negociados por preços exorbitantemente altos, numa corrida totalmente sem lógica ou nexo, afinal, nenhum fato novo.

Alcalma-se o frenezi do Ripple e em todos os cantos, pessoas buscam problemas para serem resolvidos através do Ethereum. Estamos em Junho e o Bitcoin responde menos de 40% do mercado de moeda digital e todo mundo fala que novas estrelas estão no pedaço.

Capitalização de mercado chega a 70 Bilhões de dólares, uma multiplicação por quase 4 vezes em muito pouco tempo, abre-se a contagem regressiva para os 100 bilhões de dólares em capitalização de mercado, a grande barreira psicológica.

O rally do Ether e do Ripple trazem centenas de milhares de novos participantes para o ecossitema. Muita gente que nem se imaginava perto das moedas digitais começa a olhar com mais cuidado e interesse, e de repente e finalmente, é despertando o interesse dos financistas.

Finalmente economistas, analistas, o pessoal do mundo das ações descobre a existência da moeda digital. Na grande mídia, moeda digital se traduz como Bitcoin. Em um período muito curto de tempo, analistas que enfrentam uma gigantesca concorrência no mundo tradicional tem um mercado imaturo, recém nascido e carente de “especialistas” aos seus pés.

CNBC, Bloomberg e Financial Times inauguram seus editoriais específicos sobre Bitcoin e Criptomoedas, todos os portais relevantes passam a listar a cotação do Bitcoin junto a cotação das bolsas e moedas.

O interesse do grande público é atiçado, todos querem saber que investimento é esse que abriu o ano em menos de 1000 dólares e em junho já havia praticamente triplicado o dinheiro.

Funciona, o interesse é cada vez maior, junto com a ganância, a motivação inicial vem a descoberta da libertação e a cada dia uma nova pessoa tem a epifania da moeda digital e se pergunta “mas como assim não tem banco central?”, “Como assim só eu tenho acesso ao meu dinheiro?”.

Junto com o interesse, a conclusão de que o Bitcoin agora é grande demais para ser ignorado. O monstro cresceu muito rápido, sem dar chances de preparo algum para tentar sufocá-lo. Não é mais possível simplesmente ignorar sua existência e muito menos bani-lo (pelo menos é o que se pensa).

É inútil, mas começa a cruzada dos detratores. Bolha, tulipa, fraude, feio bobo e fedido… Cada vez que um CEO de banco fala do Bitcoin faz lembrar um taxista falando mau do Uber, cada vez que um diretor de banco central fala que Bitcoin não tem valor por falta de lastro, acende em neon vermelho a palavra “mentirioso” em suas testas.

Chegamos a desembro de 2017 e o preço do Bitcoin chega a picos de 19.000 dólares, XRP acima de 3 dólares (!!!). Titãs da indústria se rendem ao Bitcoin, CME anuncia e negociação de futuros, CBOE e Nasdaq saem na esteira, bolsas do Japão, Argentina e França anunciam que negociaram futuros.

Financistas chegam aos montes ao universo cripto, nerds se revoltam e tentam reestabelecer o viés técnico da coisa toda, surgem forks, detratores dizem que os forks vão destruir a coisa toda, mas a verdade é que pessoas normais compram, pais, mães, tias… todos agora querem uma fração de Bitcoin.

Bitcoin reina absoluto, Ethereum se consolida, Ripple faz progressos, Bitcoin Cash é (apesar de tudo) um fork bem sucedido e mantém-se nas top 5 Criptmoedas.

Tudo vai bem, bem até demais até a virada do ano e afinal, o que poderia dar errado?

Tudo poderia dar errado, e parece que deu. A bolha estoura. Nos três primeiros meses de 2018 é sangue correndo nas ruas. A competição dos recém nascidos especialistas em Bitcoin para achar o motivo da derrocada dos preços chega a ser cômica.

Se fala de tudo, desde chineses realizando lucros para comprar presentes de final de ano até as redes sociais banindo toda e qualquer propaganda relativa aos Criptonegócios.

O recém nascido mercado de ICOs sangra com o aperto regulatório mundial e com a imensa quantidade de fraudes. Aqueles que pagaram mais de 100 mil dólares em um gatinho virtual rodando em Ethereum em dezembro agora se punem perguntando onde foi que erraram, do nada aquela barbada perdeu completamente o sentido.

Os “normais” que entraram em dezembro comprando tokens porque Sr. McAfee recomendou no Twitter ou porque viram especial de compre XRP na CNBC agora saem na mesma velocidade em que entraram, preços entram em colapso e estamos na esperial negativa.

Na data em que publico esse post o mercado gira em torno de 270 Bilhões capitalização, uma queda de 2/3 em relação ao seu auge (mas ainda muito, muito mesmo maior que os 20 Bi do início de 2017).

De um lado temos mercados em fúria, “especialistas” descrentes, ICOs sob-tutela do estado, Criptmoedas banidas das redes sociais.

Do outro, avanços tecnológicos como a Lightning Network, parcerias do Ripple com Western Union e Moneygram, Bitpay processando o Bitcoin Cash e indubitavelmente a tecnologia amadurecendo e as bases da coisa toda se solidificando.

E é nesse cenário que começam os meus prognósticos para o futuro.

Obs: Este artigo é uma réplica da Newsletter da HashInvest disponibilizada por e-mail e publicada aqui com alguns dias de defasagem. Quer receber a Newsletter na íntegra? Assine inserindo o seu e-mail abaixo:

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